Toyota G20E: o motor que quer enterrar o 3 cilindros — e mostra que a marca ainda ama carros de verdade

Atualizado: há 23 horas
Em 2017, quando o então presidente da Toyota, Akio Toyoda, soltou a frase que virou divisor de águas — “chega de carros chatos” — ele estava fazendo muito mais do que marketing: ele estava desenhando o futuro emocional da marca.

O que ele não imaginava é que, em 2025, estaria pilotando pessoalmente um carro equipado com um protótipo que representa exatamente esse legado.
Sim: um ex-CEO de 69 anos, hoje – 10/12/2025 –, sentou no cockpit de um GR Yaris com motor central para testar, em corrida real, o novo motor G20E, apontado como o próximo grande salto da Toyota.
E essa imagem — um senhor quase septuagenário guiando um protótipo em ritmo de guerra — diz tudo sobre o que a Toyota acredita:
Carro é emoção, é direção, é alma. E ainda vale a pena lutar por isso.
O teste de fogo: Super Taikyu 2025
Imagem: Equipe Toyota Gazoo Racing - Toyota Times/ Divulgação - Uso para fins jornalísticos.
Entre os dias 25 e 26 de outubro, rolou a 6ª etapa da Super Taikyu Series, em Okayama, Japão. Uma prova de longa duração, estilo endurance, praticamente uma “Indy 500 sem cerveja voando e gritaria americana” E ali estava ele: um GR Yaris com motor central, 2.0 turbo, quatro cilindros e 400 cv.
Sim, 400 cv num quatro-cilindros.
Sim, suficiente para deixar qualquer apezeiro repensando a própria existência.
A Toyota não foi lá para ganhar. Foi para testar o G20E na vida real. E o resultado?
3 horas no limite
nenhuma quebra grave
P3 geral
superando carros de categorias superiores como BMW M4 GT4 e Porsche Cayman GT4
e ainda liderando algumas voltas
E eu fico imaginando a cena: o piloto da Porsche olha no retrovisor e vê um senhor de 69
anos com um Yaris de motor central vindo com ódio puro. Eu choraria dentro do capacete.
Por que “Adeus, 3 cilindros”?
Aqui está o X da questão:
A Toyota só usa motores 3 cilindros nos modelos GR Yaris, GR Corolla e num Yaris 1.0 turbo específico para a Ásia. E a ambição agora é subir o sarrafo desses esportivos. Porque, claro, 304 cv num carro leve, manual e curtinho “não são suficientes”, né, Toyota?
(PS: Toyota, te amo por isso.)
Só que existe um problema:
O G16E (1.6 turbo 3 cilindros) chegou no limite. Física e financeiramente.
Quem disse isso?
Takashi Uehara, chefe de powertrain da Toyota.

Para tirar mais de 350 cv desse motor, precisaria:
reforços estruturais caros
engenharia milimetricamente delicada
e, principalmente… resolver vibração de 3 cilindros em alta rotação
Isso exige:
balanços extras
contrapesos
mais peças móveis
mais peso
mais custo
mais dor de cabeça
menos lucro
Ou seja: para entregar mais potência sem sacrificar durabilidade, eles precisariam entrar num território de custos absurdos. Matematicamente, não faz mais sentido
Então a solução óbvia venceu: colocar mais um cilindro.
E nasce o G20E.
O novo G20E resolve os problemas

Com quatro cilindros, a mágica acontece:
menos vibração;
menos contrapesos e balanços;
arquitetura mais simples;
mais compactação;
peso estimado abaixo de 150 kg (um AP 2.0 pesa ~170 kg!);
mais eficiência;
mais economia;
MAIS POTÊNCIA.
E aqui vem o ponto que me fez sorrir igual criança:
O G20E já tem 400 cv — e passou dos 600 cv nos testes de bancada.
Sim, você leu certo. 600 cv num quatro-cilindros 2.0 com menos massa que você depois da ceia de natal.
Isso é ridiculamente maravilhoso.
Escalabilidade: a jogada genial da Toyota

O G20E foi desenhado para funcionar:
transversal
longitudinal
na dianteira
no centro
em SUV familiar
em esportivo real
Isso significa:
a Toyota pode usar o MESMO motor em vários modelos
reduz custo
aumenta escala
facilita manutenção futura
e garante que peças serão amplamente disponíveis
Resultado?
Um motor muito mais barato de sustentar — e muito mais lucrativo para produzir.
A estratégia multipathway: Toyota não vai se ajoelhar à eletrificação forçada
Esse motor não é só um motor. É parte de um posicionamento.
A Toyota vem dizendo ao mundo:
“Nós acreditamos em várias rotas. Não numa verdade imposta.”

O plano inclui:
combustão evoluída
híbridos
hidrogênio
biocombustíveis
etanol
e-fuels
E o G20E é uma prova dessa estratégia, pois está sendo desenvolvido para suportar misturas de combustível com até 20% de etanol (E20), segundo a própria Toyota — uma estratégia que visa melhorar octanagem e reduzir emissões sem comprometer durabilidade e performance.
Aqui em terras tupiniquins a porcentagem chega a 30% de etanol (E30) desde agosto de 2025, ou seja, para esse motor rodar por aqui vai precisar de muita "tropicaliedade" que pode resultar em maior custo final para nosso bolso.
Enquanto outras marcas correm para desaparecer com motores a combustão, a Toyota está fazendo o contrário:
evoluindo, aprimorando, e celebrando o prazer de dirigir.
E sinceramente?
É reconfortante ver uma gigante dizendo isso em voz alta.
Conclusão: Adeus 3 cilindros — e ninguém vai chorar por isso
Com o G20E batendo nos 400 cv (e dando risada a 600 cv), a mensagem é clara:
1.6 3 cilindros cumpriu seu papel
mas chegou no fim da linha
a Toyota quer desempenho REAL
quer emoção
quer esportivos de verdade
e quer manter a alma gearhead viva
E eu, honestamente? Não vou sentir falta nenhuma dos 3 cilindros.
Agora quero saber de você:
Você vai sentir falta dos 3 cilindros… ou está pronto para esse 2.0 turbão mandar meio mundo para o penhasco?

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